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Tecnologia não salva conteúdo!


A primeira vez que ouvi falar do Rádio Digital foi há 15 anos. Imaginei que tudo fosse uma maravilha e não entendia a razão de não estar "no ar" esta nova tecnologia que colocará o rádio no mundo digital, enfim.

Hoje ainda não sabemos qual padrão seguir. O americano (IBOC) parece ser o mais cotado mas, exige o pagamento de royalties à empresa que desenvolveu este processo. O padrão Europeu (DAB) e o japonês (ISDB) possuem características positivas e negativas aqui no Brasil. Um conta com novos transmissores caríssimos, outro com a mudança de receptores (advinha quem vai pagar a conta?). O certo mesmo é que estamos engatinhando.

A saída pode ser o rádio via satélite. Engano. Além de ter que desembolsar mensalmente para a assinatura, ainda não possuímos satélites para este fim. Na Europa a coisa está indo bem. Nos Estados Unidos onde a aceitação é razoável, as empresas estão se saindo mal na administração. Em 2009 as maiores do setor se associaram para sair da crise. Deviam milhões de dólares (mesmo com 20 milhões de assinaturas).

A solução pode estar nas rádios que são transmitidas pela TV, como SKY e Net digital. O brasileiro não liga TV para ouvir rádio! A solução então pode estar na internet. Acredito nisso. Mas não pode uma emissora web querer falar da mesma forma que uma rádio tradicional. Deve ter ousadia e inovação. O mais importante na internet é a segmentação.

Ainda acho que a culpa está nas mãos da maioria dos gestores de rádio. Os que ainda acreditam na passividade do ouvinte, estão fadados ao declínio. O ouvinte quer ser ouvido também. Dar opinião, discordar. Uma via de mão dupla como são o sistema digital e a internet . Os que sabem disso (os MBAs da vida), não sabem nada da essência do rádio, entendem de teoria e pesquisas.

O que percebo é a tecnologia avançando e o nosso rádio perdendo fôlego. Esta mesma tecnologia que não prestigia o ouvinte do radinho de pilha (nem por isso ele é infeliz).

Não importa a plataforma usada para transmissão. Falta criatividade, inovação. Muitas emissoras importantes estão mal gerenciadas. A área de marketing (ou administração) não pode assumir a gestão de emissora.

O marketeiro não entende de rádio e o radialista não quer saber de marketing. Falta gente com sangue de radialista para mudar este jogo. Falta gente no rádio. Falta coração e sobra tecnologia. Contratar é caro. Os impostos são altos e a tecnologia está cada vez mais barata. Assim é o mesmo que dizer: Temos qualidade, mas não conteúdo.


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