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O fim da Rádio Globo

Atualizado: 11 de Jul de 2019

Aproveitando a transcrição do texto que publiquei no Linkedin, faço a correção. A Rádio Globo não acabou, mudou de segmento e também de local (o famoso endereço na Glória). Ruy Jobim


Estava observando os comentários nas redes sociais e uma leve saudade dos corredores por onde desfilavam astros e estrelas da minha vida no rádio. Era ainda muito jovem quando entrei nos estúdios da Rádio Globo pela primeira vez com minha mãe a tiracolo. Tinha exatamente 14 anos e movidos por uma imensa curiosidade fomos conhecer o comunicador Valdir Vieira.


Fomos bem tratados pelo Valdir e ficamos uns 20 minutos vendo ele trabalhar com o Souheil, seu operador de áudio.


Tudo chamava atenção, mas os corredores do Sistema Globo de Rádio eram lotados de pessoas indo e vindo. Tentava adivinhar quer era aquele homem alto ou aquela morena baixinha. Para mim eram todos de um mundo mágico que passavam falando alguma coisa como brincadeira interna e um sorriso largo.


A vida passou, realizei meus sonhos em rádio, mas os corredores nunca mais foram os mesmos. Não tinham mais as brincadeiras, não havia mais pressa em levar a notícia à máquina de escrever para o locutor de voz grave (ainda). Os corredores eram frios agora. Ainda era interessante buscar as notas de jornalismo na caixinha que pendia de uma pilastra do andar de cima. Explicando: O departamento de jornalismo ficava no quarto andar e os estúdios no terceiro. Para a entrega das notas com as notícias (dinâmica), criou-se uma espécie de elevador com uma prancheta onde eram colocadas as laudas. Sempre esbarrava com alguém procurando as notas com o carimbo de sua emissora.


Na grande reforma no início dos anos 2000 os corredores ficaram ainda mais frios e com portas que só abriam com o crachá do funcionário. Até aí a tecnologia já tinha mandado muita gente pra casa.


A cada mês eram 10 ou 12 funcionários se despedindo dos colegas. A família Marinho já não dava a atenção ao SGR como de início. As rádios já eram um peso. Faturavam ainda, mas não o suficiente.


Novas obras colocaram os estúdios como um dos melhores do mundo. Juntaram o estúdio da Globo FM, já fora do ar, com os estúdios da 98FM. Surgia a Beat98 que deu algum retorno, afinal (não nessa ordem).


Mas, e os corredores? As pessoas já não passavam e quem passava já não tinha pressa. Vazio, frio e silencioso. Nos estúdios já não se acreditava em grande audiência. Tiraram radialistas e colocaram pessoas que nunca tinham entrado em uma emissora.


Abandonaram o famoso endereço Rua do Russel 434 para uma estrutura ainda mais fria. Abandonaram os famosos comunicadores (muitos partiram com muita mágoa). Abandonaram as emissoras e agora, no final de junho de 2019 abandonaram a rádio popular que sempre foi.


Ouço ainda o barulho do vai e vem dos antigos corredores da Rádio Globo. Acredito que todos fizeram o que achavam certo fazer. Não quero apontar culpados, aliás, quem sou eu para isso. As crises no país e no mercado de rádio foram avassaladoras. Ouvintes fugiram e a publicidade idem.


Os corredores hoje estão com a luz apagada, mas a minha lembrança daquela gostosa correria, ninguém apaga.


A vida agora segue.


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