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Pode ser um Rivotril.

Preciso de um Rivotril para acalmar os nervos à flor da pele. Lendo comentários nas redes sociais vi que estava em um grupo especializado em "rádio das antigas". Pois bem, a indignação começou quando li absurdos, por exemplo, “O Big Boy foi contratado para dirigir a Rádio Mundial.. e morreu de overdose.” Quer outro absurdo? ” A Transamérica levou uma multa em 1985 por falar muito palavrão...” e outra que até me fez rir: “A RPC FM era a sigla para Rádio Pra Cacete, mas que ninguém podia dizer isso no ar que era proibido”. Estudante de comunicação não pode ler isso, até porque a história do rádio brasileiro é tão folclórica (às vezes absurda) que se alguém ler isso é capaz de achar que é verdade. Além dessas barbaridades o que me chamou atenção foi também a troca de insultos velados ente os antigos e os novos no rádio. “No meu tempo eu fazia e acontecia, os números mostram isso”. “Depois que eu fui demitido da rádio tal nunca mais teve aquela audiência...” Não há como comparar épocas tão diferentes!

Já que falamos em Big Boy, vamos lembrar que na decada de 70 às 6 da tarde o Rio ficava ligado na Mundial. Não haviam internet, celular, Spotify, streaming, Deezer, podcast, YouTube. Era uma época de poucas opções. A pesquisa hoje é fundamental para o norte das emissoras que tentam sobreviver. Qual a rádio que nossas crianças ouvem? E os adolescentes? Quem são os adolescentes e velhos? Que horas? O que toca nos playlists de hoje? Nunca teremos os índices de audiência como já tivemos na Rádio Nacional da época de ouro, na Cidade FM no fim da década de 70, na Mundial AM ou Rádio Globo fazendo coro no Maracanã ao sinal sonoro de “ o relógio marca” ... vivemos a época da segmentação. Que bom!!! Ah, só pra deixar claro: Big Boy foi contratado pelo Sistema Globo para fazer programação musical na nova rádio que a família Marinho tinha comprado, a Mundial AM, pois era um sucesso na rádio Tamoio. Nilton, seu nome real, nunca usou drogas e nem álcool. Morreu após uma crise de asma. Bebia refrigerante. Entrou no ar porque sabia falar inglês.

Nunca houve uma multa aplicada na Transamérica FM por fazer uso de palavrão, até porque estávamos saíndo da ditadura e palavrões já não eram novidade na abertura política. Eu estava lá.

No caso da RPC alguns locutores realmente falavam isso (rádio pra cacete) fora do ar, ao telefone, para os ouvintes mais curiosos. RPC era, na verdade, a Rádio do Paulo Cesar Ferreira, ex diretor do Sistema Globo de Rádio, que antes que escrevam mais bobagens, nada tem a ver com o Paulo César Farias, contador de Fernando Collor de Mello, presidente garotão empolgado.

Não acredite em tudo que lê na Internet.

Cadê o rivotril?

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